Faz alguns dias que considero a ideia de voltar aos blogs. Depois de algumas experiências que não deram muito certo, sei que isso não seria muito aconselhável. Bem, não sei se esse blog vai durar muito tempo - entao se os textos acabarem repentinamente, eu avisei.
A noticia me reencontrou no almoço. E estava em casa, assistindo o jornal local, quando o ancora chamou uma matéria sobre a garota que está vendendo a virgindade. A novidade da vez, depois dos lançes terem encerrado, é que Catarina esta visitando o Brasil, e aproveitou para ser barrada de um desfile de moda e tomar café da manha com Ana Maria Braga. No meio dos quitutes do Mais Voce, ela zombou de quem criticava sua atitude dizendo que "quem tem moral de sobra, que a venda". Essa frase me incomodou o resto do dia por ser uma pérola típica dos nossos tempos mercantilistas. Mas não é sobre ela que vou escrever.
A maior parte de nós sabe com que nomes Jesus era e é louvado. É o Salvador, Rei dos Reis, Filho de Deus, Maravilhoso Comselheiro. Mas o que pode nos chocar é que os fariseus o chamavam de "amigo de prostitutas e publicanos" - e ninguém jamais apareceu para dizer que isso não era assim. Ele não era só um Messias dos pobres. Era um Cristo dos rejeitados, numa época em que o politicamente correto era matar rebeldes em cruzes. E mesmo que ele fosse o Deus entre nós, santo e perfeito, era simples o suficiente para ser visto acompanhado de homens que cobravam dinheiro a mais e de mulheres que trocavam o corpo por dinheiro.
Talvez seja por Isso que nos chocamos. Fazemos o melhor para Deus, tentamos viver uma vida santa - e vemos nos evangelhos ele tendo os pés lavados por uma meretriz conhecida. Mas será razoável nos irritamos assim? Não fazemos como Jonas, que se entristeceu por Ninive ser poupada? Alias, o que nos leva a pensar que somos melhores do que os outros? Que podemos olhar para prostitutas e ladroes e ficarmos felizes por não sermos desse jeito? Será que, ao invés de sermos amigos dos pecadores, preferiríamos nos sentar junto dos fariseus e escribas?
Não, não acho que Catarina fez bem em vender sua virgindade - e seja lá quanto recebeu, tenho certeza que o cliente acabou pagando barato. Mas enquanto o mundo aponta o dedo e fulmina a jovem mulher, talvez seja nossa hora de unir as mãos em oração. Oração para que ela, no fim das contas, perceba o erro que cometeu. Para que o mesmo Deus que nos salvou de nossos pecados, de termos nos vendido ao pecado por muito mais que uma noite, também tenha misericórdia dela.
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